Republica Argentina


Nome Oficial
Republica Argentina
Habitantes
Argentinos
Capital:
Cidade Autônoma de Buenos Aires
Língua Oficial
Castelhano
População
40.518.951 (est. 2010)
Presidente
Cristina Fernández de Kirchner
Prefixo internacional
0054
Fuso horário
UTC -3
Moeda
Peso argentino
Outros grandes centros urbanos
Periferia de Buenos Aires, Córdoba, Rosario, Mendoza, Mar del Plata, Salta, Bariloche y Tucumán.
superfície
2.740.000 Km2
Geografia e clima
A Argentina está localizada no extremo sul das Américas. Sua área de 2.780.400 km2 a torna o oitavo maior país do mundo.
Economia
A Argentina possui uma economia capitalista, com forte presença do governo como ator econômico.
O que vestir
dicas
Feriados nacionais: 25 de maio e 9 de julho
Locais essenciais
Buenos Aires, Cataratas, Bariloche, Ischgualasto, Quebrada de Humahuaca


 
  
 
 
 

Argentina, um país onde a única esperança é a mudança

Um país de imigrantes europeus, de índios do fim do mundo, de cultura inca ancestral, de gaúchos em seus imensos pampas...De imponentes épocas de riqueza, de catastróficas crises econômicas...De “unitários e federais”, de “peronistas a anti-peronistas”, de River e Boca...Um passeio pela história argentina, onde a única situação previsível é o conflito e a mudança constante.

DA COLÔNIA À PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO



Antes da chegada dos colonizadores europeus, o território da atual República Argentina estava povoado por diversas tribos indígenas. Na Patagônia habitavam os tehuelches e mapuches, os ranqueles nas planícies dos pampas, na região dos chacos viviam os tobas, mocovies, pilagas, e wichis, os comenchingones em Cuyo, entre outros.


Em 1514 Solís chegou ao grande estuário que viria a ser conhecido como “Santa Maria”. Ao encontrar na região, grandes quantidades de ouro e prata, os espanhóis começaram a chamar a região como o “porto da prata”. Até 1776 todo o território agora conhecido como argentino, pertencia ao Vice Reinado do Peru. Naquele ano, durante o reino de Carlos III de Espanha, transformou-se em Vice Reinado do Rio da Prata.


Entre 1806 e 1807 aconteceram invasões inglesas, repelidas pelas tropas de Santiago de Liniers, e com grande participação da cidadania crioula. Deste feito, originou-se a expulsão do Vice Rei Sobremonte, que foi substituído por Liniers. Ele e outros líderes militares crioulos começaram então a participar do Cabildo, centro das decisões políticas, onde somente participavam espanhóis, dando vazão a um sentimento e a um projeto patriótico inédito, até então.


Em 1810 começa em Buenos Aires a Revolução de Maio e inicia-se a Guerra da Independência, das Províncias Unidas do Rio da Prata contra à Coroa Espanhola.


Em 1812 as tropas espanholas tentam avançar sobre o noroeste argentino. Em 25 e 26 de Setembro deste ano, o Exército do Norte, comandado por Manuel Belgrano, ainda que em dobro, numerado por seu inimigo, vence aos realistas na Batalha de Tucuman. Quando tomou conhecimento desta vitória esmagadora, San Martin dirigiu um movimento desde Buenos Aires, a fim de derrubar o governo, pouco comprometido com a independência. O objetivo foi alcaçado através das forças armadas e do povo, dando vez a formação do Segundo Triunvirato, e exigindo uma Assembléia Suprema com representantes de todas as províncias, para assinar a independência e redigir uma Constituição.



CONFLITOS DE UM PAÍS INDEPENDENTE


Em 9 de Julho de 1816, durante um congresso de deputados na cidade de San Miguel de Tucumán, foi proclamada a independência das Províncias Unidas no Sul da América.


Uma vez terminado o conflito pela independência, começam as guerras civis no país, entre “unitários” e “federales”. Os “unitários” tinham uma proposta de um governo centralizado em Buenos Aires. Os “federales”, liderados por Artigas, constituiram uma “Liga de Provincias Federales”.


Em 1852 ocorre a batalha de Caseros, em que o Exército Grande (uma aliança entre as províncias de Entre Rios e Corrientes com Uruguai e Brasil) derrota Rosas (Governador de Buenos Aires). O líder desta aliança, Justo José de Urquiza, assume a presidência do país. Deste modo, criam-se dois estados: Buenos Aires e a Confederação Argentina. O país se unifica em 1861, quando Bartolomeu Mitre encarregou-se das tropas portenhas, venceu a Confederação na batalha de Pavón e assumiu a presidência de uma nação unificada.


Em meados do século XIX, a Argentina entra num longo período de abundância e prosperidade econômica, baseada na produção de carnes e grãos. Este crescimento da economia gerou uma grande corrente migratória européia, um fenômeno massivo de grande influência no estabelecimento da identidade argentina.


Em 1870 começam a tomar força os conflitos entre os povos indígenas que habitavam as regiões dos pampas e da Patagônia. O governo nacional avança sobre os territórios dominados pelos indígenas, a fim de incorporar suas terras ao sistema produtivo. Em 1877, Julio Argentino Roca assume o cargo de Ministro da Guerra e decide intensificar os ataques: sua estratégia é “dominar, expulsar ou exterminar” os indígenas. Esta incursão militar foi denominada “A Conquista do Deserto”. O final das batalhas acontece em torno de 1888, com Roca na presidência da nação. Os números não são exatos, mas calcula-se que entre 14 mil e 90 mil indígenas morreram durante as campanhas, e o restante ficou bastante reduzido e afastado de suas famílias e sua cultura.



RADICAIS E PERONISTAS


No princípio do século XX foi sancionada a Lei Saenz Peña, que estabelecia o sufrágio secreto, obrigatório e universal para os votantes do sexo masculino (1912). Desta primeira eleição presidencial, sai ganhador Hipólito Yrigoyen, da União Cívica Radical (UCR), vencendo aos conservadores. Em 1930, os militares derrotam Hipólito Yrigoyen, no primeiro de uma longa série de golpes de estado, que interrompem de maneira sistemática os governos civis. Com este primeiro golpe, começa então um período conhecido como “década infame”. Em 1945 acontece um novo episódio importante na política argentina. Juan Domingo Perón, líder popular da classe trabalhadora por suas medidas como Ministro do Trabalho, é forçado a renunciar e termina preso na Ilha Martín García. Em 17 de Outubro deste ano, uma inédita e gigantesca mobilização popular na Praça de Maio pressiona o governo e consegue sua libertação. No ano seguinte, Perón é eleito Presidente. Durante seu primeiro mandato (1946-1952), juntamente à sua esposa Eva Perón, promove leis de trabalho a favor dos trabalhadores, nacionaliza as ferrovias e impulsiona o desenvolvimento da indústria. Em 1947, sanciona a Lei do Sufrágio Universal, que reconhece pela primeira vez o direito das mulheres maiores de 18 anos a votar e serem eleitas.


Em 1952, Perón é reeleito por 62% dos votos. Em seu segundo mandato como presidente, começam a acontecer conflitos sociais e greves. Seu governo entra em confronto com a Igreja.


Em 1955, os Comandos Civis (grupo cívico-militar antiperonista, integrado por conservadores, radicais e socialistas, aliados à Marinha e à Igreja Católica) bombardeam a Praça de Maio durante uma manifestação, deixando mais de 350 mortos. Perón pede calma, porém, grupos de seguidores, saem queimando igrejas. Depois de alguns meses de diálogos estéreis entre partidos políticos, as Forças Armadas derrotam o governo peronista, sob o nome de Revolução Libertadora. O peronismo chega ao final e seu líder, exilado.



OS GOLPES MILITARES


Em 1958 Arturo Frodizi assume a presidência e dá-se o início de uma longa etapa de governos democráticos derrotados, que dão lugar a governos militares que terminam por convocar eleições. Desde a década de 70, a violência e os combates políticos dominam o clima social. Em 1969 acontece o “cordobazo”, um importante protesto de estudantes e trabalhadores, na Cidade de Córdoba. Este levante popular produziu a queda do goberno de fato de Juan Carlos Onganía.

Em 1973, suspende-se o banimento ao peronismo, que em seguida, ganha as eleições. Juan Domingo Perón assume a presidência, em seu terceiro mandato, porém morre no ano seguinte, deixando o cargo para sua terceira esposa, María Estela Martínez de Perón, conhecida como “Isabelita”. Seu governo é extremamento fraco e não consegue controlar as lutas internas, a crise econômica e a crescente violência social.

Em 24 de Março de 1976, depois de um novo golpe militar, o Processo de Reorganização Nacional, chega ao poder, liderado por Videla, Massera e Agosti, a mais sangrenta ditadura da história da Argentina. Durante seus anos no poder, O Processo implantou um ilimitado sistema de terror social e perseguição contra opositores, com centros clandestinos de detenção e tortura, sequestro de crianças e desaparecimento de pessoas. Economicamente, foi uma época de endividamento e de construção de um sistema finaceiro especulativo. Foi dentro deste contexto que a seleção Argentina, disputou a Copa do Mundo de 1978, onde ganhou a seleção local, dirigida por César Luis Menotti. O governo militar começou a enfraquecer, até chegar à Guerra das Malvinas, com o Reino Unido. Logo após a derrota, decidiu convocar eleições.



A VOLTA DA DEMOCRACIA


Em 1983 Raúl Ricardo Alfonsín (UCR) assume a presidência. Durante seu governo, consolidam-se as instituições democráticas que haviam sido destruídas e são levados à justiça os inquéritos por crimes contra a humanidade que ocorreram durante os anos do Processo. No tribunal, as Juntas foram processadas e muitos de seus membros militares foram condenados.


Em 1989 a hiperinflação leva grande parte do povo argentino a um imenso colapso econômico. Alfonsín renuncia e Carlos Saúl Memem, do Partido Justicialista (PJ) assume a presidência, sendo reeleito em 1995. Em 1991 é sancionada a Lei da Convertibilidade, onde um Peso Argentino passa a valer um Dólar Americano. Desta forma, se favorece uma política econômica neo-liberal, que produziu um aumento nos investimentos, ao mesmo tempo que um desmantelamento da indústria e uma altíssimo índice de desemprego. A crise acentuou-se ainda mais no princípio do novo século. Fernando de la Rúa, presidente eleito pela Alianza, não consegue conter outra crise econômica, que colidiu com um profundo descrédito pela classe política e a falência das Instituições. Em 19 de Dezembro de 2001 o povo saiu em massa às ruas para protestar contra as políticas do governo, batendo em panelas. Depois de dois dias de protesto e mais de 20 mortes, provocadas por confronto com a polícia, o Presidente renunciou e deixou a sede do governo num helicóptero. Vários presidentes passaram pelo cargo durante um mes, até a chegada de Eduardo Duhalde (PJ), que ocupou a posição como Presidente provisório.


Em 2003, Néstor Kirchner ganha as eleições presidenciais com uma margem de votos historicamente baixa. Seu mandato baseou-se nas políticas de direitos humanos, na reforma integral do Supremo Tribunal de Justiça e uma política de crescimento econômico constante. Em 2007 o oficialismo volta a ganhar as eleições, desta vez encabeçado por Cristina Fernández de Kirchner, a primeira mulher eleita por voto popular na história do país. Em 2007, ocorre um forte embate entre o governo e os produtores agropecuários, que realizaram uma longa greve, com interrupções de estrada e falta de abastecimento.


No fim de 2010, ano marcado pelas celebrações do bicentenário da nação, morre o ex presidente e marido da Presidente em exercício, Néstor Kirchner, o que causou um forte impacto na sociedade e um reajuste do cenário político.



Argentina, um país onde a única esperança é a mudança"
 




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