
Argentina, um país onde a única esperança é a mudança
Um país de imigrantes europeus, de índios do fim do mundo, de cultura inca ancestral, de gaúchos em seus imensos pampas...De imponentes épocas de riqueza, de catastróficas crises econômicas...De “unitários e federais”, de “peronistas a anti-peronistas”, de River e Boca...Um passeio pela história argentina, onde a única situação previsível é o conflito e a mudança constante.
DA COLÔNIA À PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO
Antes da chegada dos colonizadores europeus, o território da atual República Argentina estava povoado por diversas tribos indígenas. Na Patagônia habitavam os tehuelches e mapuches, os ranqueles nas planícies dos pampas, na região dos chacos viviam os tobas, mocovies, pilagas, e wichis, os comenchingones em Cuyo, entre outros.
Em 1514 Solís chegou ao grande estuário que viria a ser conhecido como “Santa Maria”. Ao encontrar na região, grandes quantidades de ouro e prata, os espanhóis começaram a chamar a região como o “porto da prata”. Até 1776 todo o território agora conhecido como argentino, pertencia ao Vice Reinado do Peru. Naquele ano, durante o reino de Carlos III de Espanha, transformou-se em Vice Reinado do Rio da Prata.
Entre 1806 e 1807 aconteceram invasões inglesas, repelidas pelas tropas de Santiago de Liniers, e com grande participação da cidadania crioula. Deste feito, originou-se a expulsão do Vice Rei Sobremonte, que foi substituído por Liniers. Ele e outros líderes militares crioulos começaram então a participar do Cabildo, centro das decisões políticas, onde somente participavam espanhóis, dando vazão a um sentimento e a um projeto patriótico inédito, até então.
Em 1810 começa em Buenos Aires a Revolução de Maio e inicia-se a Guerra da Independência, das Províncias Unidas do Rio da Prata contra à Coroa Espanhola.
Em 1812 as tropas espanholas tentam avançar sobre o noroeste argentino. Em 25 e 26 de Setembro deste ano, o Exército do Norte, comandado por Manuel Belgrano, ainda que em dobro, numerado por seu inimigo, vence aos realistas na Batalha de Tucuman. Quando tomou conhecimento desta vitória esmagadora, San Martin dirigiu um movimento desde Buenos Aires, a fim de derrubar o governo, pouco comprometido com a independência. O objetivo foi alcaçado através das forças armadas e do povo, dando vez a formação do Segundo Triunvirato, e exigindo uma Assembléia Suprema com representantes de todas as províncias, para assinar a independência e redigir uma Constituição.
CONFLITOS DE UM PAÍS INDEPENDENTE
Em 9 de Julho de 1816, durante um congresso de deputados na cidade de San Miguel de Tucumán, foi proclamada a independência das Províncias Unidas no Sul da América.
Uma vez terminado o conflito pela independência, começam as guerras civis no país, entre “unitários” e “federales”. Os “unitários” tinham uma proposta de um governo centralizado em Buenos Aires. Os “federales”, liderados por Artigas, constituiram uma “Liga de Provincias Federales”.
Em 1852 ocorre a batalha de Caseros, em que o Exército Grande (uma aliança entre as províncias de Entre Rios e Corrientes com Uruguai e Brasil) derrota Rosas (Governador de Buenos Aires). O líder desta aliança, Justo José de Urquiza, assume a presidência do país. Deste modo, criam-se dois estados: Buenos Aires e a Confederação Argentina. O país se unifica em 1861, quando Bartolomeu Mitre encarregou-se das tropas portenhas, venceu a Confederação na batalha de Pavón e assumiu a presidência de uma nação unificada.
Em meados do século XIX, a Argentina entra num longo período de abundância e prosperidade econômica, baseada na produção de carnes e grãos. Este crescimento da economia gerou uma grande corrente migratória européia, um fenômeno massivo de grande influência no estabelecimento da identidade argentina.
Em 1870 começam a tomar força os conflitos entre os povos indígenas que habitavam as regiões dos pampas e da Patagônia. O governo nacional avança sobre os territórios dominados pelos indígenas, a fim de incorporar suas terras ao sistema produtivo. Em 1877, Julio Argentino Roca assume o cargo de Ministro da Guerra e decide intensificar os ataques: sua estratégia é “dominar, expulsar ou exterminar” os indígenas. Esta incursão militar foi denominada “A Conquista do Deserto”. O final das batalhas acontece em torno de 1888, com Roca na presidência da nação. Os números não são exatos, mas calcula-se que entre 14 mil e 90 mil indígenas morreram durante as campanhas, e o restante ficou bastante reduzido e afastado de suas famílias e sua cultura.
RADICAIS E PERONISTAS
No princípio do século XX foi sancionada a Lei Saenz Peña, que estabelecia o sufrágio secreto, obrigatório e universal para os votantes do sexo masculino (1912). Desta primeira eleição presidencial, sai ganhador Hipólito Yrigoyen, da União Cívica Radical (UCR), vencendo aos conservadores. Em 1930, os militares derrotam Hipólito Yrigoyen, no primeiro de uma longa série de golpes de estado, que interrompem de maneira sistemática os governos civis. Com este primeiro golpe, começa então um período conhecido como “década infame”. Em 1945 acontece um novo episódio importante na política argentina. Juan Domingo Perón, líder popular da classe trabalhadora por suas medidas como Ministro do Trabalho, é forçado a renunciar e termina preso na Ilha Martín García. Em 17 de Outubro deste ano, uma inédita e gigantesca mobilização popular na Praça de Maio pressiona o governo e consegue sua libertação. No ano seguinte, Perón é eleito Presidente. Durante seu primeiro mandato (1946-1952), juntamente à sua esposa Eva Perón, promove leis de trabalho a favor dos trabalhadores, nacionaliza as ferrovias e impulsiona o desenvolvimento da indústria. Em 1947, sanciona a Lei do Sufrágio Universal, que reconhece pela primeira vez o direito das mulheres maiores de 18 anos a votar e serem eleitas.
Em 1952, Perón é reeleito por 62% dos votos. Em seu segundo mandato como presidente, começam a acontecer conflitos sociais e greves. Seu governo entra em confronto com a Igreja.
Em 1955, os Comandos Civis (grupo cívico-militar antiperonista, integrado por conservadores, radicais e socialistas, aliados à Marinha e à Igreja Católica) bombardeam a Praça de Maio durante uma manifestação, deixando mais de 350 mortos. Perón pede calma, porém, grupos de seguidores, saem queimando igrejas. Depois de alguns meses de diálogos estéreis entre partidos políticos, as Forças Armadas derrotam o governo peronista, sob o nome de Revolução Libertadora. O peronismo chega ao final e seu líder, exilado.
OS GOLPES MILITARES
Em 1958 Arturo Frodizi assume a presidência e dá-se o início de uma longa etapa de governos democráticos derrotados, que dão lugar a governos militares que terminam por convocar eleições. Desde a década de 70, a violência e os combates políticos dominam o clima social. Em 1969 acontece o “cordobazo”, um importante protesto de estudantes e trabalhadores, na Cidade de Córdoba. Este levante popular produziu a queda do goberno de fato de Juan Carlos Onganía.
Em 1973, suspende-se o banimento ao peronismo, que em seguida, ganha as eleições. Juan Domingo Perón assume a presidência, em seu terceiro mandato, porém morre no ano seguinte, deixando o cargo para sua terceira esposa, María Estela Martínez de Perón, conhecida como “Isabelita”. Seu governo é extremamento fraco e não consegue controlar as lutas internas, a crise econômica e a crescente violência social.
Em 24 de Março de 1976, depois de um novo golpe militar, o Processo de Reorganização Nacional, chega ao poder, liderado por Videla, Massera e Agosti, a mais sangrenta ditadura da história da Argentina. Durante seus anos no poder, O Processo implantou um ilimitado sistema de terror social e perseguição contra opositores, com centros clandestinos de detenção e tortura, sequestro de crianças e desaparecimento de pessoas. Economicamente, foi uma época de endividamento e de construção de um sistema finaceiro especulativo. Foi dentro deste contexto que a seleção Argentina, disputou a Copa do Mundo de 1978, onde ganhou a seleção local, dirigida por César Luis Menotti. O governo militar começou a enfraquecer, até chegar à Guerra das Malvinas, com o Reino Unido. Logo após a derrota, decidiu convocar eleições.
A VOLTA DA DEMOCRACIA
Em 1983 Raúl Ricardo Alfonsín (UCR) assume a presidência. Durante seu governo, consolidam-se as instituições democráticas que haviam sido destruídas e são levados à justiça os inquéritos por crimes contra a humanidade que ocorreram durante os anos do Processo. No tribunal, as Juntas foram processadas e muitos de seus membros militares foram condenados.
Em 1989 a hiperinflação leva grande parte do povo argentino a um imenso colapso econômico. Alfonsín renuncia e Carlos Saúl Memem, do Partido Justicialista (PJ) assume a presidência, sendo reeleito em 1995. Em 1991 é sancionada a Lei da Convertibilidade, onde um Peso Argentino passa a valer um Dólar Americano. Desta forma, se favorece uma política econômica neo-liberal, que produziu um aumento nos investimentos, ao mesmo tempo que um desmantelamento da indústria e uma altíssimo índice de desemprego. A crise acentuou-se ainda mais no princípio do novo século. Fernando de la Rúa, presidente eleito pela Alianza, não consegue conter outra crise econômica, que colidiu com um profundo descrédito pela classe política e a falência das Instituições. Em 19 de Dezembro de 2001 o povo saiu em massa às ruas para protestar contra as políticas do governo, batendo em panelas. Depois de dois dias de protesto e mais de 20 mortes, provocadas por confronto com a polícia, o Presidente renunciou e deixou a sede do governo num helicóptero. Vários presidentes passaram pelo cargo durante um mes, até a chegada de Eduardo Duhalde (PJ), que ocupou a posição como Presidente provisório.
Em 2003, Néstor Kirchner ganha as eleições presidenciais com uma margem de votos historicamente baixa. Seu mandato baseou-se nas políticas de direitos humanos, na reforma integral do Supremo Tribunal de Justiça e uma política de crescimento econômico constante. Em 2007 o oficialismo volta a ganhar as eleições, desta vez encabeçado por Cristina Fernández de Kirchner, a primeira mulher eleita por voto popular na história do país. Em 2007, ocorre um forte embate entre o governo e os produtores agropecuários, que realizaram uma longa greve, com interrupções de estrada e falta de abastecimento.
No fim de 2010, ano marcado pelas celebrações do bicentenário da nação, morre o ex presidente e marido da Presidente em exercício, Néstor Kirchner, o que causou um forte impacto na sociedade e um reajuste do cenário político.
Argentina, um país onde a única esperança é a mudança"

A Argentina está localizada no extremo sul das Américas. Sua área de 2.780.400 km2 a torna o oitavo maior país do mundo. Seu território se l limita ao oeste com o Chile, ao norte com Bolívia e Paraguai e ao leste com Brasil e Uruguai. Por localização e dimensões, a Argentina possui uma grande variedade de climas e biosfera, incluindo florestas tropicais, estepes, montanhas e costas. A maior parte de sua população vive na região de clima temperado localizado na faixa central do país. Devido a seu desenvolvimento desigual, a maioria das indústrias e serviços de qualidade se localiza em Buenos Aires e seus arredores. Com exceção de raros eventos sísmicos, a Argentina não sofreu desastre natural significativo em seu território.

A Argentina possui uma economia capitalista, com forte presença do governo como ator econômico. A agricultura e as exportações agrícolas são a principal fonte de renda, apesar de um significativo desenvolvimento industrial e comercial que lhe permite diversificar suas vendas externas.
Em 2001, o país passou por um traumático processo de crise econômica e política com consequências sociais negativas. A implantação de políticas protecionistas e populistas devolveu a confiança pública na economia e resultou um crescimento espetacular dos indicadores. No entanto, no aspecto social, a pobreza em massa e a presença de doenças associadas à pobreza continuam a ser um flagelo pendente de solução.
Sua moeda é o Peso Argentino, mas é possível realizar transações em dólares dos EUA ou euros, em muitos locais turísticos.

A sociedade argentina é marcada por uma forte mistura entre colonos americanos e europeus, embora seja possível encontrar descendentes puros de diversos grupos éticos indígenas e europeus em diversas regiões urbanas e rurais. Outras importantes comunidades de imigrantes são os árabes, asiáticos e africanos.
Nos últimos anos, recebeu um grande fluxo de migrantes da Bolívia e do Paraguai, estimado em 1,5 milhões, com entrada adicional de novos colonos da Europa e dos Estados Unidos, estimado em 150.000. A maior parte da população professa formas diferentes do catolicismo, mas também é possível encontrar diversas comunidades judaicas, árabes e de religiões animistas indígenas.
Sua população total é de 40.518.951 habitantes (est. 2010). 92% da população vivem em áreas urbanas e sua expectativa de vida é de 76 anos. Desde a crise de 2001, o número da população abaixo do nível de pobreza atingiu níveis recordes.
A argentina é governada por um sistema de governo com separação de poderes. O mandato presidencial dura quatro anos e é renovável por um único período. O Congresso Nacional é composto por duas câmaras.
A Argentina possui uma rica e distinta variedade cultural. Produto da miscigenação e da chegada dos fluxos migratórios de todos os continentes, cada região possui suas próprias tradições e formas de expressão.
O tango, nascido às margens do Rio da Prata, e cuja origem é compartilhada com o Uruguai, surgiu a partir da mistura de ritmos afroamericanos e da contribuição da música trazida por imigrantes da Itália e da França. Profundamente melancólica em alguns momentos e alegre em outros, o tango e suas letras refletem o caráter portenho de forma magistral. O folclore tem grande desenvolvimento nas regiões do interior. Um de seus expoentes mais popular é o Malambo (versão com coreografias bastante vistosas de sapateado), os alegres chamamés do litoral, as chacareras melódicas e as zambas.
Quanto aos produtos típicos disponíveis em cada região, a oferta também é diversificada. Buenos Aires é o lugar para comprar produtos fabricados em couro de boi, porco e capivara (um roedor gigante de pele fina). Produtos feitos em prata ou alpaca e antiguidades fazem parte da preferência dos visitantes. No norte da Argentina, prevalece o artesanato em couro, os tecidos de lã ovina e de alpaca, uma variedade de camelídeos andinos e cerâmica requintada. O sul é rico em iguarias culinárias e produtos derivados do cacau. Chocolates com frutas, doces feitos com espécies locais de veado ou patê de salmão são alguns dos produtos que os turistas frequentemente consomem em sua visita a Patagônia.
Os grandes centros urbanos, especialmente Buenos Aires, desenvolveram uma cultura cosmopolita e uma vasta gama de entretenimento. Os shows de rock, as apresentações de música clássica e os eventos de música popular fazem parte de uma agenda que abrange qualquer hora do dia e da noite.
Buenos Aires 34°36’30 S 58°22’ 19O
Fundada em 1536, a capital da Argentina foi destruída por uma coalizão de nativos contra o abuso a qual foram submetidos pelos espanhóis. Fundada novamente em 1580, logo adquiriu um lugar de destaque como o centro do vice-reinado do Rio da Prata, que governou os territórios atuais da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e partes do Chile. Foi também o centro da revolução de independência que conduziu à libertação do cone sul-americano. Quase toda a história política da Argentina ocorreu nos edifícios e praças de Buenos Aires. Portanto, é possível encontrar vestígios dos principais acontecimentos da história da Argentina nos palácios usados pela classe alta, que dominou o país no início do século XX, na varanda da casa do Governo utilizada por Juan D. Perón para se dirigir a seus partidários ou em seus famosos estádios, onde joga o melhor no futebol mundial.
Cataratas do Iguaçu 25°41′43″S 54°26′12″O
Em 1542 o conquistador espanhol Alvar Nuñez Cabeza de Vaca chegou ao que ele descreveu como uma majestosa cachoeira de 80 metros de altura, agora conhecida como Cataratas do Iguaçu (“água grande” na língua indígena). A região também preserva as ruínas das Reduções, edifícios de habitação dos índios evangelizados pelos padres jesuítas da Companhia de Jesus. Em seus arredores, encontra-se uma das mais exuberantes reservas naturais tropicais. Os quatis, papagaios e macacos são algumas das espécies que podem ser observadas na área.
Bariloche 41°8′00″S, 71°18′37″O
A cidade de Bariloche, na Patagônia, está localizada ao lado da Cordilheira dos Andes argentinos, com vista para o Lago Nahuel Huapi. Foi fundada em 1895 pelo imigrante alemão Carlos Wiederhold. Cercada por montanhas e florestas, Bariloche é um dos mais importantes centros de esqui do mundo e um local favorito para o eco-turismo do outono ao verão. Também ganhou notoriedade como um refúgio para um número de fugitivos nazistas durante sua história, que utilizaram a grande comunidade alemã na área a fim de ocultar sua presença.
Ischigualasto 30º09'48 67º50'35
Para os amantes da paleontologia e geologia, Ischigualasto – ou Vale da Lua – pode ser um paraíso terrestre. O vale localizado na província andina de San Juan é parte do Parque Nacional homônimo, que abrange 257 mil hectares. Trata-se de um dos principais sítios de fósseis no continente. O clima árido e seco ajudou a preservar muitas espécies do período Triássico. Os afloramentos de rochas expõem as diferentes fases geológicas da região e nos permitem observar a história do planeta exposta no colorido da paisagem apresentada.
Estâncias de Buenos Aires 36°48′ S 59°51′ O
As estâncias de Buenos Aires são uma das imagens mais características do país. Lá, é possível pode reviver o estilo de vida dos gaúchos, o homem do campo argentino, e observar cerimônias como adestramento de cavalos, agropecuária, passeios a cavalo no infinito oceano verde dos pampas e participar de rituais tradicionais do mundo da agricultura e pecuária argentina. A província possui uma vasta rede de estâncias preservadas e restauradas para acolher turistas, com todas as comodidades modernas.
Quebrada de Humahuaca 23°35′19″S 65°24′10″W
Na província de Jujuy, é possível encontrar vestígios de culturas pré-colombianas que ainda habitam esta região da Argentina. Os tilcaras, um grupo étnico pré-hispânico que alcançou grau considerável de desenvolvimento, construíram no local uma “púcara”, ou fortaleza, cuja descoberta foi relatada em 1908 pelo etnógrafo argentino Juan B. Ambrosetti. Possui uma área de 15 hectares com muros, habitações e casas comunais, a maioria dos quais foi reconstruída para de expor a evolução da cultura tildara. O passeio de trem em uma das vias ferroviárias mais altas do mundo faz parte da oferta de atrações turísticas na região do entorno.
É possível chegar à Argentina por muitas companhias aéreas. A oferta de voos internos nacional é desigual e muitas vezes os voos sofrem com atrasos devido a fatores climáticos e humanos.
Os trens passam por processos de privatização e estatização sem estratégia, visto que o serviço, apesar de barato, é limitado, perigoso e desconfortável.
As cidades estão ligadas por uma extensa rede de estradas e rodovias, a maioria com pedágio. Entretanto, as estradas secundárias sofrem de problemas de manutenção. Em caminhos de terra, recomenda-se obter informações sobre as condições da estrada. Deve-se lembrar que a Argentina é líder mundial em vítimas de acidentes de trânsito.
Sendo um dos maiores países do mundo, as viagens geralmente requerem tempo e paciência. A Patagônia e a região dos Andes são caracterizadas pela baixa densidade populacional. Recomenda-se obter informações sobre os locais onde obter fornecimentos e serviços de saúde antes de embarcar em uma marcha através de áreas remotas. Em algumas regiões, é possível caminhar por maravilhosas paisagens naturais.

Assado
A carne na Argentina é famosa mundialmente por seu sabor e maciez. O segredo está nas ricas pastagens dos pampas e no constante movimento de gado, que vaga pela terra aberta. Mas o assado é muito mais do que isso: cada corte de carne possui uma textura e seu sabor diferente provém também do método de cozimento baseado em técnicas próprias e no uso de lenha e carvão vegetal natural. Junto com a carne bovina, assam-se porções de suínos, aves e linguiças. O prato é completado com miudezas, variedade de órgãos internos dos animais abatidos. (Dicas: considerando que os argentinos comem quase todas as partes da vaca, as pessoas sensíveis devem pedir de antemão o que estão a provar ou pedir que não sejam informadas; ao contrário de outras partes do mundo, a carne argentina é comida semi-cozida, portanto é recomendável solicitar o cozimento desejado ao fazer seu pedido)
Massas
A cozinha argentina desenvolveu seu próprio universo de massas. O uso de farinha refinada e criatividade local deram origem a uma variedade de pratos e molhos. Os pratos mais típicos são as massas recheadas, como ravióli, canelone e lasanha ou diferentes tipos de massa fresca, preparados a partir de diversos vegetais. (Dicas: as porções de massas tendem a ser extremamente generosas ao paladar estrangeiro; existem nas cidades empresas especializadas na produção de massas frescas, chamadas “Fabricas de Pastas”; no dia 29 de cada mês, costuma-se comer nhoque e colocar dinheiro abaixo do prato a fim de atrair a prosperidade econômica)
Pães
As padarias argentinas são famosas por sua impressionante variedade de iguarias, ideais para consumo a qualquer momento. Os itens mais comuns são as “medialunas”, versão local dos croissants franceses, mas de menor tamanho. Existe uma grande variedade de pães aromatizados e “facturas”, tortas doces recheadas com diferentes tipos e cobertura (Dicas: as “facturas” são vendidas em dúzias e o cliente pode fazer sua própria seleção da variedade disponível; cada “factura” possui um nome distinto, muitas vezes relacionado à história política do país/ os argentinos frequentemente as consomem no café da manhã e no almoço, e elas são oferecidas nos hotéis, caso o passageiro deseje seguir esse costume)
Empanadas
A empanada é uma massa recheada com carne ou legumes que é cozida ou frita, dependendo da região. Existem centenas de variedades de empanada, mas as mais consumidas são as com recheio de carne ou frango, presunto e queijo e espinafre. Trata-se de um prato muito tradicional e prático. As mais famosas são as do norte, recheadas com carne picante e fritas em gordura animal. (Dicas: as empanadas saltenhas, com carne cortada a faca, possuem uma reputação regional graças a seu sabor e método de preparação; há um elaborado sistema para o reconhecimento do recheio de cada empanada, muitas vezes relacionado com o modo de fechamento da massa, ou “repulue”; cada província argentina possui seu próprio tipo de empanada e há também cidades com suas variedades únicas)
Humita de Chala
Prato típico do norte da Argentina, criado a partir de uma massa de milho pisado refogado com cebola. É consumido envolto em espigas previamente cozidas.
Puchero
Os argentinos desenvolveram sua própria versão do prato típico espanhol. Trata-se de uma sopa picante com carne e legumes (batata, cebola, abóbora, batata-doce ou inhame, milho, cenoura e grão de bico). É um prato ideal para se repor as energias e desfrutar de uma variedade de vegetais produzidos no país. (Dicas: o puchero é uma refeição com grande quantidade de calorias e, por isso, é normalmente consumida durante o inverno; o puchero é cozido com ossos de ossobuco e uma das iguarias locais é o tutano, conhecido como "caracu" na cozinha local)
Pizza
Fiel à influenza italiana, os argentinos desenvolveram uma variedade quase infinita de pizzas. As mais comuns são as de queijo mussarela ou cebola. É possível explorara variedades com frutas, legumes verdes e queijos exóticos (Dicas: as pizzarias típicas possuem suas próprias variedades de pizzas; costumam vir acompanhadas de “fainá”, um pão de farinha de grão-de-bico).
Milanesa
A carne coberta de farinha de rosca assada ou frita constitui um dos pratos mais consumidos na Argentina. É possível experimentar quase uma centena de variedades recheadas com diferentes tipos de carne e legumes ou cobertas com diversas variedades de queijos e molhos. (Dicas: a variedade mais consumida é a milanesa comum, acompanhada de batatas fritas; os vegetarianos podem experimentar a milanesa feita com soja)
Locro
Este é um guisado herdado de tempos pré-colombianos que constitui parte essencial da dieta dos nativos quechuas e outros povos indígenas. É preparado com carne seca ou fresca, milho, bucho de vaca, batata, abóbora, chouriço, orelhas e pés de porco, feijão e, de acordo com a região, outros ingredientes, como linguiças e temperos adicionais. (Dicas: a cada dia 25 de maio, os argentinos geralmente preparam o locro como parte das comemorações da independência, sendo este um alimento rico em calorias consumidas em épocas ou regiões frias)
Bebidas típicas
Mate
Um dos costumes dos argentinos é o mate, um chá bebido com uma bomba em pequenas taças com erva-mate. Possui propriedades digestivas e relaxantes. O mate constitui uma cerimônia social para aqueles que o consomem, bem como uma série de regras de etiqueta divertidas de se aprender. (Dicas: o próximo turno do mate é sempre o da esquerda; a bomba é compartilhada e não pode ser removida; ao agradecer àquele que oferece o mate, está se dizendo que não se deseja ser servido novamente)
Rota do vinho: em 1556, um sacerdote introduziu as primeiras videiras em Santiago del Estero. Desde então, a indústria vinícola argentina se transformou em uma das mais vibrantes do mundo. É possível visitar as adegas e os vinhedos localizados principalmente nas províncias de Mendoza, La Rioja, Río Negro, Neuquén, Salta e San Juan, onde as alturas secas permitem a produção de excelentes variedades de vinhos Torrontés, Cabernet Sauvignon, Malbec, Syrah, Merlot e Chardonnay.
Vinho patero
Esta variedade de vinho doce é produzida através do processo de pisar as uvas com pés descalços, daí seu nome “patero”. Ainda que a descrição do modo de fabricação possa despertar apreensão, seu consumo não implica riscos para a saúde. O produto do pisado é acondicionado em frascos para sua fermentação, como ocorre com outros vinhos.
Fernando
Embora originário da Itália, o Fernet se tornou uma das bebidas mais consumidas na Argentina. Quando misturado com cola, obtém-se o popular “Fernando”, uma bebida natural da província de Córdoba que é hoje consumida regularmente pelos argentinos, em sua maioria por jovens em áreas de lazer.
• As grandes cidades argentinas possuem uma vida noturna variada. É possível dançar o tango nos clubes portenhos, assistir a festivais folclóricos em eventos especiais o desfrutar de noites completas nas boates de cada cidade.
• Uma grande proporção da população urbana é capaz de se comunicar em mais de um idioma, principalmente em inglês. O habitante local está preparado para dar assistência ao turista.
• Devido à sua extensão, percorrer a Argentina demanda percorrer grandes distâncias, equivalentes ao território de diversos estados europeus para se chegar ao local de destino. Considere o tempo necessário para se deslocar de um ponto a outro do país e que para chegar a seu destino, deverá realizar travessias de até 12 horas.
• A região de clima temperado do país possui um clima moderado, porém em outras regiões, é possível enfrentar climas extremos, inclusive em épocas de primavera e outono. Na região andina, há registros frequentes de -20 graus centígrados no inverno e mais de 45 graus nas épocas de verão nas regiões do norte.
• À exceção de algumas espécies de insetos e ofídios venenosos, não há espécies que representem uma ameaça ao homem no território argentino.
• A Argentina atravessa uma crise de insegurança. Por esta razão, recomenda-se que os turistas não se afastem dos locais turísticos, deixem seus documentos em locais de hospedagem e não ostentem elementos que possam ser tomados por criminosos. Ainda assim, continua a ser um dos destinos mais seguros da região.
• Devido ao alto nível de falsificação de produtos de marcas conhecidas, recomenda-se não comprar produtos em feiras marginais ou canais informais.
• Caso planeje viajar às regiões do noroeste da Argentina, recomenda-se vacinação contra doenças tropicais.
• Desde janeira de 2009, a Argentina tem implantado uma política de reciprocidade em matéria de vistos. Por esta razão, é necessária a permissão para ingresso para Estados que fazem o mesmo com os cidadãos argentinos (EUA, Austrália, Canadá).
• A Argentina utiliza um sistema elétrico de 220 V com plugues de três pinos.
• A gorjeta aceitável é de 10% sobre o total do serviço.
• Fora das grandes cidades, o sistema de água potável possui algumas deficiências, sendo recomendável levar uma provisão própria para saciar a sede e para a higienização em determinadas áreas.
• Na maior parte das regiões remotas da Argentina, não há sinal para telefones celulares ou sistemas fixos de comunicação.